Biografia


          Nasci no dia 30 de dezembro de 1960, 00:45, na maternidade da Casa de Saúde de Cataguases, cidade da zona da mata mineira, tendo como pais  Idalvino Salles Nunes  e  Ana Carvalho Nunes. Meu pai nasceu em Itaperuna (RJ), foi motorista de taxi na década de 20 e, mais tarde passou a trabalhar como pedreiro. Minha mãe nasceu em Sant'Ana de Cataguases, fazia teatro quando era estudante e casou-se com meu pai quando ainda tinha 18 anos (meu pai tinha 35). 
         Ela comentava que não queria se casar tão cedo, mas meu pai era um apaixonado incansável e não desistiu de conquistá-la e tomá-la como esposa, até conseguir atingir seu objetivo. Depois de casados, moraram na cidade de minha mãe, em 1940, quando Sant'Ana, na verdade,  era apenas um distrito de Cataguases. 
        O primeiro dos sete filhos chamou-se Antônio, a segunda recebeu o nome de  Luzia, mas ela morreu ainda bebê, de "ventre-virado". Vieram depois, José Luiz, Paulo, os gêmeos Francisco e Penha e, finalmente,  depois de catorze anos do nascimento dos gêmeos, eu nasci. Meu pai tinha então 55 anos e minha mãe 38. Como dizia minha mãe, eu fui a "raspa do tacho". Até os 7 anos de idade, nunca tive que subir o morro onde morávamos a pé - meu pai me levava no colo. Nunca apanhei - meu irmão José Luiz ameaçava ir embora de casa, caso alguém me encostasse a mão pra bater. Por não poder usar de tal tipo de punição, meu pai me colocava de castigo - mas meu irmão Paulo sempre me roubava dessas "roubadas", burlando a vigilância do meu pai. Meus irmãos Antônio e Francisco casaram-se quando eu ainda era bem pequena e as outras lembranças que tenho são da minha irmã, Penha, que trabalhava na fábrica de tecidos e ficava fora de casa muito tempo.
          Minha mãe costurava, e eu cortava pontas de linha, alinhavava, enquanto cantávamos em dueto. Sempre cantávamos enquanto costurávamos, ou então brincávamos de comadre. Eu desenhava as roupas dos meus sonhos e ela transformava meus sonhos em realidade. Na verdade, cresci acreditando que os sonhos podem se tornar realidade, quando nos dispomos a trabalhar para isso.
Sempre gostei de estudar. Entrei para a escola aos 6 anos de idade, no Grupo Escolar Madre Bernadete, que era dirigido pela Irmã Celma, do convento de Carmelitas de Cataguases, hoje denominado Colégio Carmo, transformando-se em escola da rede particular de ensino.
       Fui uma criança sonhadora. Meu irmão, José Luiz, gostava muito de ler e, além disso, apresentava um programa infantil na Rádio Cataguases, que lhe possibilitava contato com editoras, que enviavam gibis e livros de histórias infantis para divulgação e distribuição. Não tínhamos televisão, não tinha sequer sapatos para usar no inverno e, sendo assim, ler se tornou a minha grande aventura. Ler, costurar e cantar.  Daí dava pra promover uma interação: costurar versos, cantar histórias, ler o mundo e as pessoas como se cada um fosse uma possibilidade de mudar o grande livro da existência humana.
          Fui uma adolescente gordinha, rosto com espinhas, tímida excessivamente. Amiga, romântica, sonhadora, estudiosa, responsável e com muita vontade de voar, mesmo tendo asas tão curtas.
Ainda hoje eu me olho no espelho e penso no quanto sou mais feliz, mais livre, mais inteira, mais jovem do que nos tempos de adolescência - embora tenha preservado um tanto da timidez e do romantismo, tão fora de moda nos dias atuais.
          Do primeiro casamento, trouxe dois filhos: Cristiane e Diego. Do segundo casamento, Letícia.  
Dedico minha vida à pesquisa sobre os socialmente excluídos, recortando essa realidade no contexto prisional. Também escrevo para adolescentes e faço palestras em escolas.




0 comentários:

Postar um comentário

Obrigada por sua visita. Registre-a, deixando seu comentário.

Biografia


          Nasci no dia 30 de dezembro de 1960, 00:45, na maternidade da Casa de Saúde de Cataguases, cidade da zona da mata mineira, tendo como pais  Idalvino Salles Nunes  e  Ana Carvalho Nunes. Meu pai nasceu em Itaperuna (RJ), foi motorista de taxi na década de 20 e, mais tarde passou a trabalhar como pedreiro. Minha mãe nasceu em Sant'Ana de Cataguases, fazia teatro quando era estudante e casou-se com meu pai quando ainda tinha 18 anos (meu pai tinha 35). 
         Ela comentava que não queria se casar tão cedo, mas meu pai era um apaixonado incansável e não desistiu de conquistá-la e tomá-la como esposa, até conseguir atingir seu objetivo. Depois de casados, moraram na cidade de minha mãe, em 1940, quando Sant'Ana, na verdade,  era apenas um distrito de Cataguases. 
        O primeiro dos sete filhos chamou-se Antônio, a segunda recebeu o nome de  Luzia, mas ela morreu ainda bebê, de "ventre-virado". Vieram depois, José Luiz, Paulo, os gêmeos Francisco e Penha e, finalmente,  depois de catorze anos do nascimento dos gêmeos, eu nasci. Meu pai tinha então 55 anos e minha mãe 38. Como dizia minha mãe, eu fui a "raspa do tacho". Até os 7 anos de idade, nunca tive que subir o morro onde morávamos a pé - meu pai me levava no colo. Nunca apanhei - meu irmão José Luiz ameaçava ir embora de casa, caso alguém me encostasse a mão pra bater. Por não poder usar de tal tipo de punição, meu pai me colocava de castigo - mas meu irmão Paulo sempre me roubava dessas "roubadas", burlando a vigilância do meu pai. Meus irmãos Antônio e Francisco casaram-se quando eu ainda era bem pequena e as outras lembranças que tenho são da minha irmã, Penha, que trabalhava na fábrica de tecidos e ficava fora de casa muito tempo.
          Minha mãe costurava, e eu cortava pontas de linha, alinhavava, enquanto cantávamos em dueto. Sempre cantávamos enquanto costurávamos, ou então brincávamos de comadre. Eu desenhava as roupas dos meus sonhos e ela transformava meus sonhos em realidade. Na verdade, cresci acreditando que os sonhos podem se tornar realidade, quando nos dispomos a trabalhar para isso.
Sempre gostei de estudar. Entrei para a escola aos 6 anos de idade, no Grupo Escolar Madre Bernadete, que era dirigido pela Irmã Celma, do convento de Carmelitas de Cataguases, hoje denominado Colégio Carmo, transformando-se em escola da rede particular de ensino.
       Fui uma criança sonhadora. Meu irmão, José Luiz, gostava muito de ler e, além disso, apresentava um programa infantil na Rádio Cataguases, que lhe possibilitava contato com editoras, que enviavam gibis e livros de histórias infantis para divulgação e distribuição. Não tínhamos televisão, não tinha sequer sapatos para usar no inverno e, sendo assim, ler se tornou a minha grande aventura. Ler, costurar e cantar.  Daí dava pra promover uma interação: costurar versos, cantar histórias, ler o mundo e as pessoas como se cada um fosse uma possibilidade de mudar o grande livro da existência humana.
          Fui uma adolescente gordinha, rosto com espinhas, tímida excessivamente. Amiga, romântica, sonhadora, estudiosa, responsável e com muita vontade de voar, mesmo tendo asas tão curtas.
Ainda hoje eu me olho no espelho e penso no quanto sou mais feliz, mais livre, mais inteira, mais jovem do que nos tempos de adolescência - embora tenha preservado um tanto da timidez e do romantismo, tão fora de moda nos dias atuais.
          Do primeiro casamento, trouxe dois filhos: Cristiane e Diego. Do segundo casamento, Letícia.  
Dedico minha vida à pesquisa sobre os socialmente excluídos, recortando essa realidade no contexto prisional. Também escrevo para adolescentes e faço palestras em escolas.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por sua visita. Registre-a, deixando seu comentário.